quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Depressão saiba tudo sobre ela e como se livrar.



O problema afeta o humor, as funções orgânicas e o comportamento de milhões de pessoas no mundo. As mulheres são as vítimas favoritas. Mas, com ajuda médica, é possível reverter o quadro

Parece que a vida perdeu a graça, nada dá prazer, a vontade de trabalhar desapareceu e o mal-estar e a tristeza são companheiros constantes. Se você enfrenta situação semelhante, fique atento - pode ser depressão. Este problema, que atinge 17% da população mundial, ainda apresenta muitos outros sintomas, como irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração e até problemas intestinais.
A depressão é uma doença grave e só no Brasil afeta 36 milhões de pessoas. Estudos apontam que no mundo todo 25% das mulheres contra 15% dos homens poderão sofrer com o problema. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) trata- se da segunda maior causa de perda de qualidade de vida e, no ano de 2020, será tão comum quanto a dor nas costas.
Muitas pessoas que sofrem com o distúrbio nem se dão conta de sua existência. Uma pesquisa envolvendo pacientes e médicos mostrou que, antes do diagnóstico, 72% dos pacientes com depressão severa não conseguiam identificar sintomas físicos como sinais típicos da doença, embora 79% tenham revelado que já chegaram a procurar ajuda justamente por causa desses incômodos.
Um artigo publicado na revista científica Diabetes Care mostrou os resultados de estudos realizados na Universidade de Alberta, no Canadá. Entre outras constatações que assustaram os médicos, verificou-se que a depressão pode elevar em 25% o risco de a pessoa desenvolver diabetes tipo 2.
Na entrevista a seguir, o psiquiatra Eduardo Tancredi Pinheiro, chefe da equipe de psiquiatria do Hospital Paulistano (SP) e diretor da Unidade de Pesquisa em Psiquiatria e Neurologia (UPPSIQ) explica tudo sobre a doença.
1- Qual a diferença entre tristeza e depressão?
É comum a pessoa confundir tristeza e baixo-astral com depressão. Muitos se dizem deprimidos quando, na verdade, passam por um processo no qual a tristeza é o sentimento preponderante. Todos nós passamos por dificuldades, estresse, perdas. Ficamos tristes quando temos razões para tal - a perda de uma pessoa querida, uma desilusão no amor, uma decepção no trabalho, uma frustração... Tristeza é um sentimento, assim como a alegria, a raiva e a frustração. Os sentimentos têm motivos, causa e relação com situações cotidianas. Já a depressão é uma doença e não um estado de espírito. Diferente dos sentimentos normais, a depressão é justamente a incapacidade de relacionar o sentimento com a situação que vive. Ela pode até vir acompanhada de tristeza, mas nem sempre esta é a característica principal. A depressão é a incapacidade de sentir prazer, de sentir-se feliz, independente de haver ou não motivo para isso.
2- Quais são os sintomas característicos de um quadro depressivo?
A depressão pode se manifestar de várias formas, dependendo da pessoa que é acometida. Mas alguns sintomas característicos acontecem com maior freqüência. São eles:
Tristeza persistente durante a maior parte do dia, na maioria dos dias.
Desânimo, cansaço, indisposição.
Perda da capacidade de sentir prazer por coisas que normalmente sentia, seja no trabalho, no lazer ou na vida sexual.
Ansiedade, preocupação exagerada, insegurança, indecisão.
Sentimentos de desesperança, pessimismo, culpa, incapacidade, desamparo e solidão.
Alterações de sono - tanto insônia como excesso de sono.
Alterações de apetite - falta ou excesso.
Irritabilidade, inquietação.
Dificuldade de concentração.
Sintomas físicos como dor de estômago, dor de cabeça, dores musculares e articulares.
Alterações intestinais.
3- O indivíduo tem idéia de que está com depressão?
Hoje as pessoas têm mais acesso a informações sobre depressão e outros transtornos da mente mas, em geral, aquela que está doente tem mais dificuldade em identificar os sinais. Muitas vezes até procura explicações em situações vividas ou busca ajuda de outros especialistas médicos por valorizar sintomas que são freqüentes em outras doenças, protelando o diagnóstico correto.
4- Por que as mulheres sofrem mais de depressão?
Elas têm riscos duas vezes maiores do que os homens de desenvolverem uma doença depressiva. Aponto especialmente duas explicações: as oscilações dos hormônios em períodos prémenstruais, gestacionais e de menopausa; e, apesar de estarmos em pleno século 21, elas ainda sofrem uma carga de opressão sócio-cultural muito grande, especialmente no mundo subdesenvolvido.
5- O que significa depressão pós-parto?
Trata-se do estado depressivo que se instala no período puerperal, ou seja, as primeiras semanas que sucedem o parto. Mas nem todas as mulheres estão sujeitas ao distúrbio. Devemos considerar que ele ocorra por predisposição genética, gestações e partos complicados, por fatores orgânicos e sócio-culturais. E deve-se tomar muito cuidado, pois nesses estados há uma série de riscos para a mãe e também para a criança.
6- A depressão também atinge os idosos?
Ela pode ocorrer em qualquer faixa etária e certamente nos idosos com grande freqüência, por uma série de fatores que acompanham a idade avançada: aposentadoria, evolução e incidência maior de doenças crônicas, incapacitação física e preconceito sócio-cultural. O idoso, normalmente, também sente-se mais próximo da morte.
7- Existem gatilhos que disparam as crises?
Sim. Perdas, frustrações, doenças graves e crônicas, além de outros fatores estressantes estão relacionados ao desencadeamento de quadros depressivos, apesar de não necessários para que se desenvolva uma depressão.
8- Qual é a influência do clima sobre a depressão?
No Brasil, o clima é tropical, fica mais difícil perceber a influência da variação da temperatura sobre a incidência da depressão. Mas em países onde as estações são bem definidas, como no hemisfério norte, nos períodos de inverno quando comumente os dias são mais curtos e onde as pessoas acabam se isolando socialmente, há maior incidência de casos.
O estado depressivo pode se instalar nas primeiras semanas após o parto comprometendo a relação entre mãe e bebê
9- Pode-se nascer com predisposição para desenvolver a doença?
Sim. A depressão é conhecida como doença multifatorial, ou seja, várias causas colaboram para a existência de um quadro depressivo. A herança genética é um dos fatores mais importantes. Sabe-se que o fato de ter pais com depressão aumenta a chance de os filhos desenvolverem a doença. Porém, é bom frisar que a herança genética é importante, mas não é uma condição única para o aparecimento do quadro.
10- A depressão é uma alteração bioquímica do cérebro?
Com o avanço das pesquisas sobre o cérebro na década passada, sobretudo as pesquisas de neuroimagem cerebral, conseguiu-se estabelecer uma relação direta dos sintomas depressivos com alterações da neurotransmissão cerebral. É por isso que com o avanço das pesquisas os laboratórios puderam desenvolver drogas cada vez mais eficazes.
11- Como a doença era tratada antigamente e como é hoje?
Já na antigüidade encontramos formas de tratamento para o que chamamos hoje de depressão, desde prescrições hipocráticas de dietas, preparados medicinais e repouso em verdadeiros templos onde era chamada a interseção divina até a extração craniana da chamada pedra da loucura na Idade Média. Com o surgimento da psiquiatria como especialidade médica, muitos procedimentos foram se desenvolvendo. E drogas modernas foram criadas, surgiram os antidepressivos seletivos, com grande eficácia terapêutica e poucos efeitos colaterais. Na atualidade há ainda a Estimulação Eletromagnética Transcraneana, feita em alguns grandes centros e esboçando resultados favoráveis. A todo o arsenal médico unem-se as formas de psicoterapia, sendo a mais conhecida a psicanálise freudiana, a assistência social e a terapia ocupacional que são muito significativas nos tratamentos.
12- Quais são os principais efeitos colaterais da medicação?
Eles dependem muito do tipo de droga utilizada. Entretanto, náuseas, vômitos, cefaléia, diarréia ou obstipação, insônia ou sonolência, vertigens, anorexia ou aumento do apetite, tremores e boca seca são freqüentes. Na maioria das vezes, porém, estes sintomas são passageiros e suportáveis, não impedindo o desenvolvimento do tratamento. Uma piora do quadro depressivo no início do tratamento também é possível de acontecer.
13- Os remédios demoram para fazer efeito?
Sim, normalmente os tratamentos medicamentosos demoram entre duas e quatro semanas para fazer efeito. Isso, aliado a possibilidade de efeitos colaterais iniciais, contribui para um grande índice de abandono de tratamento nesta fase. A orientação e a segurança passada pelo médico na primeira consulta são fundamentais para que o paciente supere o período inicial.
14- Como ficam as relações afetivas?
Em geral, pela dificuldade que as pessoas têm de compreender a depressão, há um comprometimento grande desses relacionamentos.
15- Quanto tempo pode demorar uma crise de depressão?
Quando não tratada, é capaz de durar anos. Considera-se, para fins de tratamento, que a crise de depressão dura em torno de seis meses e por isso estabelece-se um mínimo de tempo de tratamento - de seis a 12 meses.
16- Como a família pode ajudar?
O primeiro auxílio e de maior importância é a tentativa de entender a doença para não atribuir culpa ao paciente. Muitas vezes, com a intenção de ajudar, os familiares acabam sobrecarregando de estímulos o indivíduo que já está com dificuldade de lidar com os próprios sentimentos. O melhor a fazer é participar do tratamento, sem preconceitos, procurando ajuda de um profissional especializado para obter informações e entender as fases do tratamento.
17- A atividade física ajuda no tratamento?
Sempre, já que é uma forma de estabelecer equilíbrio físico. Porém, não adianta querer que uma pessoa que não tem o hábito de freqüentar uma academia passe a fazê-lo, só porque está deprimida.
18- A depressão pode tornar uma pessoa incapacitada para o trabalho?
A doença é uma das maiores causas de faltas e de perda de produção no trabalho. Em uma população profissionalmente ativa, os índices de depressão chegam a ser maiores do que na população geral (alguns estudos falam em 17%). Em casos crônicos, não é improvável que a pessoa perca a capacidade para o trabalho de forma irreversível.
19- Existem formas de prevenção?
Elas seriam: manter uma vida com relações saudáveis, encontrar o equilíbrio entre trabalho e lazer, simplificar os problemas, e ter menor auto-exigência. E, sobretudo, estar alerta para os sintomas, evitando que o quadro Evolua
Fonte: http://revistavivasaude.uol.com.br
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