terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O SEXO NÃO DEVE SER APENAS UM INSTRUMENTO DE PRAZER, TAMBÉM DEVE SER UM MEIO DE ELEVAÇÃO ESPIRITUAL.



"Homem e mulher são dois pólos diferentes, os pólos positivo e negativo da energia. O correto encontro destes dois pólos fecha um circuito e produz um tipo de eletricidade, e o conhecimento direto desta eletricidade é possível se o período do coito, quando vocês estão em profunda e completamente entregues um ao outro, puder ser mantido por uma hora. Uma alta carga produzindo uma aura de eletricidade irá se desenvolver por si própria; se as correntes do corpo estiverem num espaço completo e total, pode-se ver um pedaço de luz na escuridão. Um casal experienciando esta corrente elétrica de energia está bebendo da taça mais cheia de vida.


Mas nós continuamos ignorantes a este fenômeno. Achamos tais conversas muito estranhas, só porque não acreditamos naquilo que ainda não experimentamos, e porque isto está fora do conhecimento “normal”. Mas eu digo, se ainda não passaram por esta vivência, devem pensar sobre isto e tentar de novo.
VOCÊ DEVE REVER A SUA VIDA, ESPECIALMENTE O CAPÍTULO SOBRE SEXO, DESDE O ABC
O sexo não deve ser apenas um instrumento de prazer, deve ser também um meio de crescimento espiritual. Sexo é um processo Yoguico. Não acho que o nascimento de Cristo, Mahavira ou Buda foi acidental; cada nascimento foi o fruto da mais completa união de duas pessoas. Quão mais profunda a união, mais evoluída a criança; quão mais superficial o encontro, menos desenvolvida.
Mas hoje, o calibre da humanidade está afundando mais e mais. Algumas pessoas culpam a deterioração dos padrões morais, enquanto outras atribuem isto aos efeitos da Kaliyuga, a predestinada era do caos, mas todas essas hipóteses são falsas e sem valor. A deterioração do homem é devida apenas à loucura da nossa atitude sexual, tanto na teoria como na prática.
O SEXO PERDEU A SUA ORIGEM SACRA.
O original senso de reverência que o homem tinha pelo sexo foi ofuscado e se degenerou num pesadelo mecânico, transformando-o em uma sutil violência, no sentido exato da palavra. O sexo não é mais uma experiência amorosa, não é mais um veículo para o sagrado e nem é mais um ato meditativo. E por causa disto, a humanidade está continuamente caindo num abismo.
O resultado de qualquer coisa que fazemos depende da atitude mental com que a fazemos. Se um escultor bêbado está fazendo uma estátua, você espera que ele crie uma bela obra de arte? Se uma bailarina está dançando, você espera uma apresentação brilhante se ela estiver perturbada, raivosa ou cheia de tristeza? De maneira similar, a nossa abordagem sexual tem estado errada.
O SEXO É O ASPECTO MAIS NEGLIGENCIADO DAS NOSSA VIDAS.
Não é um tremendo erro que o fenômeno do qual depende a procriação da vida, do qual dependem as crianças, e as novas almas entrando neste mundo, seja o mais negligenciado? Você provavelmente não está consciente de que o orgasmo no ato amoroso cria uma situação na qual a alma desce, e uma nova vida é concebida. Você apenas cria a situação; quando as condições necessárias e apropriadas para uma alma em particular forem preenchidas, ela nasce. A qualidade da alma tem uma relação direta com as circunstâncias. Uma criança concebida em raiva, culpa ou ansiedade está aflita desde o nascimento.
A QUALIDADE DAS NOSSAS CRIANÇAS PODE SER MELHORADA, MAS PARA CONCEBER UMA ALMA MAIS ELEVADA, AS CONDIÇÕES DA CONCEPÇÃO DEVEM SER TAMBÉM DE QUALIDADE ELEVADA.
Só então almas superiores podem nascer e o nível da humanidade pode ser finalmente elevado. É por isso que eu digo que quando o homem tomar conhecimento da ciência sexual, da arte sexual, quando ele for capaz de passar este conhecimento tanto aos jovens como aos velhos, nós seremos capazes de proporcionar as circunstâncias que darão à luz o que Aurobindo e Nietzsche chamaram Super-Homem. Essa futura humanidade pode nascer e esse mundo pode ser criado, mas até lá não pode haver nenhum progresso; não pode haver paz no mundo; as guerras não podem ser evitadas, o ódio não pode ser abolido, a imoralidade não pode ser curada, o mal não pode ser erradicado, a exploração e as perversões sexuais não podem ser desenraizadas e a escuridão atual não pode ser dispensada.(…)
(…) ATÉ QUE TENHAMOS SUCESSO EM TRAZER HARMONIA AO ATO SEXUAL, EM TRAZER UMA SINTAXE ESPIRITUAL AO SEXO, EM CHEGAR A RESPEITAR O SEXO COMO A ENTRADA PARA O SAMADHI, UMA HUMANIDADE MELHOR NÃO PODERÁ VIR A EXISTIR.
Um novo homem deve nascer. A alma do homem está ansiosa para subir às alturas, para alcançar o céu, para ser iluminada como a lua e as estrelas, para florescer como as flores, para fazer música, para dançar. A alma do homem está angustiada; sua alma está sedenta. Mas o homem está cego, ele viaja em círculos num circulo vicioso: é incapaz de romper com isso, é incapaz de elevar-se acima disso. Qual é a causa? Existe uma causa e apenas uma: o seu método atual de procriação é absurdo, está cheio de loucura. Está assim porque não fomos capazes de fazer do sexo uma porta para o samadhi. Um ato sexual iluminado pode abrir o portão para o samadhi.
O homem está desesperado; O HOMEM É UM ESCRAVO DO SEXO, e esse desespero deve ser descartado. Nós queremos conhecimento, não ignorância. Conhecimento por si só é poder, e conhecimento do sexo é um poder ainda maior. É perigoso continuar a viver em ignorância sobre o sexo. (…)
Eu quero deixar claro para vocês que as obstruções básicas são criadas pelo próprio homem, de outra forma o rio do amor fluiria livremente e atingiria o oceano de Deus. O amor é inerente ao homem. Se as obstruções forem removidas com consciência, o amor pode fluir. Então o amor pode elevar-se e tocar a Deus, tocar o Supremo.
Quais são esses obstáculos criados pelo homem? Em primeiro lugar, a mais óbvia obstrução tem sido a oposição ao sexo e a crítica à paixão. Essa barreira tem destruído a possibilidade de nascimento do amor no homem.
A verdade pura é que o sexo é o ponto inicial do amor. Sexo é o começo da jornada ao amor. A origem, o Gangotri do Ganges de amor é sexo, paixão. E todo mundo se comporta como se ele fosse um inimigo. Toda cultura, toda religião, todo Guru, todo vidente tem atacado esse Gangotri, essa fonte. E o rio têm permanecido engarrafado, as pessoas têm sempre proclamado: "sexo é pecado; sexo é irreligioso; sexo é veneno". Mas parece que nunca entendemos que na verdade é a própria energia sexual que progride para alcançar o oceano interior de amor. O amor é a transformação da energia sexual. O florescimento do amor vem da semente do sexo.
Nunca ocorreria a vocês que quando o carvão se transforma se torna diamante? Apenas a energia do sexo pode florescer no amor. Mas todos, incluindo os grandes pensadores da humanidade, são contra ele. Essa oposição não permitirá que a semente brote, e o palácio do amor está destruído na sua fundação. A inimizade para com o sexo destruiu a possibilidade do amor.
Devido a esse erro conceitual e básico, ninguém sente a necessidade de passar pelo processo de transformá-lo. Como podemos transformar alguém que é nosso inimigo, alguém a quem nos opomos, com quem estamos em guerra contínua? Tem sido forçada uma discussão entre o homem e a sua energia, em oposição às suas necessidades sexuais. (…)
DEVIDO A ESSA INIMIZADE COM O SEXO, OPOSIÇÃO E REPRESSÃO, O HOMEM ESTÁ DEFINHANDO INTERIORMENTE. Ele não pode nunca livrar-se de algo que está na própria raiz de sua vida e por causa desse conflito interior, constante, todo o seu ser tornou-se neurótico. Ele está doente. Essa sexualidade pervertida que está tão evidente na humanidade é devida aos seus assim chamados líderes e santos; eles são culpados por isso. Até que o homem se livre de tais professores, moralistas, líderes religiosos e de seus falsos sermões, é nula a possibilidade do surgimento do amor.
A religião e a cultura despejam venenos contra o sexo na mente humana. Elas criam conflito, guerra; engajam o homem numa batalha contra sua própria energia primária, e assim o homem tornou-se fraco, bruto, vazio de amor e cheio de vazio. O sexo tem que se tornar um amigo, não um inimigo. O SEXO DEVE SER ELEVADO ÀS MAIS PURAS ALTURAS."
Osho in "Do sexo à Supraconsciência"

Sexualidade Plena - Luciane Lima 
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