domingo, 26 de janeiro de 2014

EXAMES DE SANGUE: PORQUE O SEU PODE ESTAR ALTERADO MESMO COM OS NÚMEROS NORMAIS!

            Não é novidade para ninguém que a medicina não é uma ciência exata. O grande problema então começa quando fazemos mal uso de números, estatísticas, da matemática propriamente dita dentro da prática médica.
Analisem estes números e vejam como é possível encontrar conclusões surpreendentes quando utilizamos as estatísticas sem pesar critérios específicos na medicina através deste exemplo:
Existem 700.000 médicos nos EUA (Brasil tem cerca de 330.000)
Ocorrem 120.000 mortes por ano causadas por erros médicos. É a 4° causa de morte nos Estados Unidos.
A relação de morte (120.000) por médico (700.000) é 0,171
*fonte : Departamento de saúde e recursos humanos nos EUA
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O número de proprietários de armas de fogo legais dos EUA é de 80 milhões
O número de mortes acidentais por armas de fogo por ano, considerados todos os grupos etários, é de 15.000
A relação de morte (15.000) por arma de fogo (80.000.000 ) é de 0,000188
*fonte: Estatística do FBI
           Assim, estatisticamente, os médicos são aproximadamente 900 vezes mais perigosos do que os proprietários de armas de fogo legais.
Isso significa que quem tem um médico, tem 909,57 vezes mais chances de ser morto por ele do que por um proprietário de arma de fogo legal.
           E aí, como negar a conclusão? A resposta é que não temos como fazê-lo, pois números são exatos e pronto. Portanto, faz parte do senso crítico trazer estes resultados à luz de nosso senso crítico racional e usarmos da maneira mais adequada não é mesmo?
Pois bem amigos, vocês acreditam que em uma das principais práticas do médico, estamos utilizando números e estatísticas de uma forma completamente equivocada?
           Nós médicos aprendemos que para realizar qualquer consulta primária devemos fazer uma anamnese (entrevista conversada), exame físico, e solicitar os exames necessários para elucidação específica de cada caso. E uma das formas mais comuns exames são os sanguíneos.
É inaceitável saber que o médico não tem uma aula sequer que ensine a compreender a maneira correta como interpretar exames de sangue. Parece mentira, mas não é! Os cursos de medicina simplesmente não ensinam, pois nem mesmo a imensa maioria dos professores no Brasil têm este conhecimento. Não estou dizendo que não sabem ler os exames, mas quero dizer que enxergam unicamente os números e pronto, identificando o que está dentro do normal, o que não está, qual doença causa problema neste ou naquele ítem e assim por diante. E caso você que está lendo neste momento seja um colega médico, continue lendo que entenderá o raciocínio e tenho absoluta certeza de que se dará conta de que na realidade, lemos números mas não entendemos exatamente quem “inventou” os parâmetros que vemos como normais…
Agora para vocês não médicos, saibam que existe sim um grande problema que acredito que muitos de vocês já sofreram quando passaram por determinadas situações. Quem disse que aquele número de normalidade é o ideal para você? Quantas pessoas têm sintomas de doenças das mais diversas, chegam ao médico que simplesmente olha um exame de sangue (um papel), e dizem: “você não tem nada, está normal”. Ora, muitas vezes a única coisa que está normal é o papel, pois a pessoa não está!
Um dos exemplos que enxergo como dos mais comuns é o caso  daquelas pessoas que comem exatamente a mesma coisa de uma outra e engordam, não conseguem emagrecer, ao passo que outra comendo o mesmo e fazendo exatamente as mesmas coisas, vive sem problemas com a balança. Mas estas também já sabem a resposta que escutarão na imensa maioria das vezes: “você tem tendência a engordar, ou é genético”.
Deixem-me escrever algo que já escrevi em outro artigo anteriormente: somente 15% do que você é e virá a ser depende realmente da genética. Sabemos hoje que 65% é e será causado pela maneira como leva sua vida, ou seja, o meio ambiente, então não existe mais espaço para esta explicação que sempre foi vaga e ineficaz.
Pois bem, o que diferencia uma da outra pode e deve ser uma diferença metabólica que faz com que o corpo de uma tenha um metabolismo “mais acelerado” do que o da outra. Ela irá ao médico, se não estiver com algum nível sanguíneo fora do que está escrito lá como normal, sairá com seu problema não resolvido ou pior ainda, ao invés de receber o que necessita para otimização de seus níveis, receberá no máximo uma medicação que busca tirar o apetite, ou seja, o famoso “tapar o sol com a peneira”, uma vez que não resolveu o verdadeiro problema e com toda certeza, se tiver um emagrecimento com uso de medicação, tão logo suspenda seu uso, irá novamente voltar a engordar. É isto o que vemos diariamente, já virou comum.
E é óbvio que isso acontecerá, pois enquanto não for tratada sua causa, melhorado seu metabolismo, o problema persistirá em seu corpo e aquela pessoa viverá na dependência dos conhecidos efeitos sanfonas, tendo que lutar contra algo que poderia ser equilibrado se o médico tivesse conhecimento profundo sobre o que os números dos exames podem representar.
Amigos, hoje demonstrarei o porque deste erro diário e como a falta de um conhecimento mais aprofundado neste tema está prejudicando um número enorme de pessoas que estão passando ao largo da chance de ter tratamentos adequados e seus problemas resolvidos.
Inevitavelmente terei que entrar em alguns detalhes técnicos para que prove não só a vocês leigos, mas também aos diversos médicos colegas que me acompanham também. E acreditem vocês, será simples e fascinante!
Como existem os números indicando o intervalo entre os quais uma substância é considerada normal? Quem determinou que por exemplo os valores normais de Hemoglobina devem ser na média entre 11 e 14g/dl.
Saibam para a criação dos intervalos de normalidade, a medicina se utiliza de uma curva elaborada pelo matemático Gauss. O resumo disto é que cada substância medida tem seus índices ajustados para englobar como normal, 95% da população, ou seja, no caso da Hemoglobina para mulheres, se você estiver com um índice entre 11 A 13g/dl  você estará normal, porque 95% da população está também. Até aí tudo bem, mas pense agora comigo, será então que 95% da população está normal? Esta é a nossa realidade?
Vou explicar ainda mais. Os números são determinados valendo-se de uma quantidade “X” de pessoas aleatoriamente e dentro dos mais variados números que cada pessoa terá para a substância medida no sangue, faz-se um cálculo da média para que 95% destes números estejam normais e somente 5% fiquem como alterados e problemáticos.

Porém, dentro destas pessoas, existem doentes, sadias, cancerosas, infectadas, contaminadas, idosas, jovens, etc… Obviamente, os valores encontrados são absolutamente dependentes da amostra de pessoas e já que o mundo está doente, cada vez mais os números serão alterados. Se ficou confuso, vou dar-lhes um exemplo e acredito que ficará mais simples de compreender (poderia dar incontáveis exemplos).
Vocês acreditam que existe exame para detecção de Chumbo (Pb) no sangue, e que é considerado “normal” termos índices de 2 a 8? Mas você médico nunca parou para pensar sobre estes valores? Ora, quer dizer então que se tivermos um paciente com valor inferior de Chumbo (igual a 1 por exemplo), teremos que fazer suplementação desta substância para chegar a no mínimo 2 e ser considerada normal?
É óbvio que não! Vocês sabem quanto é o valor desejável disto em nosso corpo? Zero, pois Chumbo é um metal pesado tóxico.
Mas então o que aconteceu para que fosse determinado estes índices normais? Foi feita uma média estatística na população e estes foram os valores calculados como normais, e já que a população está contaminada infelizmente por este metal pesado, quando o laboratório mede e realiza uma média através da curva de Gauss, determina que o mais comum para 95% da população é estar com estes valores, consequentemente o normal é estar contaminado! O normal para o meu corpo é estar com valores de zero sim, pois não tenho culpa da população estar intoxicada com Chumbo, isto é um problema para saúde. Para vocês verem o quanto pode ser errôneo este método de determinação numérico.
Agora vocês notem o absurdo que a falta de conhecimento sobre estes fatores pode complicar e de fato complicam a prática da boa medicina:
O tratamento para desintoxicação de Chumbo é feito com EDTA (Ethylene Diamine Tetra Acetic Acid), mas o Conselho Federal de Medicina, proíbe seu uso a menos que o médico comprove que seu paciente está intoxicado por este metal tóxico. Entretanto, estar intoxicado segundo exames laboratoriais é ter níveis maiores do que 8, e na verdade o Chumbo tendo níveis de apenas 1, a meu ver e na visão de qualquer médico que saiba o que isto significa, já não é o ideal, uma vez que o melhor é NÃO ter Chumbo no organismo.
Percebam o absurdo do quanto a falta de conhecimento sobre a interpretação de exames pode prejudicar a saúde das pessoas, pois o excesso de Chumbo provoca uma doença chamada saturnismo, que pode levar à morte.
Ah, existe uma exceção sim, pois 21 médicos no Brasil entraram com uma liminar na justiça comum e têm hoje liberdade de utilizar a terapia com EDTA para qualquer de seus pacientes, e o Conselho Federal de Medicina não pode fazer nada felizmente, pois perdeu este processo.
Mas então falando sobre exames, podemos concluir que estes parâmetros calculados através da curva de Gauss são apenas números estatísticos que serviriam para dizer o que é normal estatisticamente, mas NUNCA para dizer o que é normal em pessoas para padrões médicos!
Se o médico unicamente olhar para papéis, para os números dos exames, então usando a estatística podemos concluir que somente em 2,5% destes exames, ou seja, 2,5 a cada 100 pacientes, encontraríamos realmente alterações. Sendo assim, não faz realmente sentido solicitar exames, pois nós médicos procuramos números que em 95% dos casos, devido à forma pela qual os parâmetros foram definidos, estarão dentro destes padrões de normalidade ESTATÍSTICA! E é nisto que se baseia hoje e o que realmente quer o plano de saúde. Que você só tenha direito a realizar os exames conforme o que se suspeita, a tal já ultrapassada medicina baseada em evidências.
O ideal é sim que comecemos a dosar todos os índices sanguíneos das pessoas a partir de seus 15 anos por exemplo anualmente, para que tenhamos a curva dos padrões metabólicos de cada pessoa individualmente sendo acompanhada e isto, por mais incrível que pareça, seria sempre mais barato do que medir somente frente à uma doença, pois isto sim onera o sistema de saúde e a todos, pois prevenir é infinitamente mais barato e melhor do que tratar a doença.
Ora, passei boa parte de minha vivência médica acreditando nisso e vendo a quantidade cada vez maior de pessoas que ao exame de 6 meses atrás estavam “normais”, com números limítrofes, de repente 6 meses depois já estavam com números aumentados ou diminuídos e portanto doentes. Isto não poderia ser assim meus amigos, esta mesma pessoa já estava claramente doente mesmo com valores limítrofes, isto é óbvio! Porque aguardar que as pessoas fiquem realmente doentes e sofram por isto ao invés de começar a tratar de maneira mais lógica antes, com medidas preventivas ativas, suplementação adequada, mais opções terapêuticas e o mais importante, sem deixar que aquela pessoa sofra tanto tempo aflita sentindo-se doente e sem ajuda só porque os o médico só aprendeu a tratar a doença conforme o exame do papel, ao invés de aprender a não deixar as pessoas doentes e tratar a saúde?
Se eu como pessoa não quero isto para mim, também não acho justo que como médico eu deixe isto acontecer com meus pacientes.
Bem amigos, O MÉDICO ESPECIALIZADO EM NUTRIENDOCRINOLOGIA (ANTI-AGING MEDICINE NOS EUA) NÃO SEGUE SIMPLESMENTE OS ÍNDICES CONSIDERADOS NORMAIS PELOS LABORATÓRIOS E ACHO QUE OS MÉDICOS EM GERAL DEVERIAM PENSAR NISTO; EM ENXERGAR OS EXAMES EM RELAÇÃO PRIMEIRAMENTE ÀS QUEIXAS E AOS SINTOMAS DO PACIENTE. ESTA CIÊNCIA BUSCA OTIMIZAR OS RESULTADOS, TENDO NÍVEIS O MAIS BAIXOS POSSÍVEL QUANDO AQUILO QUE ESTAMOS DOSANDO É ALGO INDESEJÁVEL, OU O CONTRÁRIO QUANDO É ALGO DESEJÁVEL.
Por exemplo, buscamos que nossos pacientes tenham o mínimo possível de Chumbo, mas o máximo possível dos hormônios da tireóide!
E concluindo, valores de referência são apenas dados estatísticos de uma certa população, não levando em consideração as individualidades bioquímicas, nem tampouco as distintas morbidades e/ou polimorfismos genéticos que requerem diferentes níveis de nutrientes e sobretudo não representam níveis de otimização funcional.

http://drvictorsorrentino.com.br/exames-de-sangue-porque-o-seu-pode-estar-alterado-mesmo-com-os-numeros-normais/
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