segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Estudo em múmias sugere que câncer é doença provocada pelo Homem


Até aos tempos modernos o câncer era uma doença pouco comum. A quase inexistência de doenças malignas em múmias é um indicador da raridade desta doença na antiguidade.


O câncer é, possivelmente, uma doença desenvolvida pelo homem na medida em que é alimentada pelos excessos da vida moderna. Os tumores eram raros até aos tempos modernos, quando a poluição e os maus hábitos alimentares se tornaram problemas da nossa sociedade. Um maior entendimento da sua origem pode apoiar a investigação de tratamentos para esta doença.

Michael Zimmerman, professor na Universidade de Manchester, afirma que "numa sociedade antiga onde não existia intervenções cirúrgicas, as evidências de câncer deveriam permanecer nos corpos. A quase inexistência de doenças malignas em múmias é um indicador da raridade desta doença na antiguidade, o que sugere que os fatores que levam ao surgimento de câncer estão relacionados com a industrialização das sociedades.”

Para investigar as origens do câncer, o professor Zimmerman e a sua colega Rosalie David analisaram possíveis referências à doença na literatura clássica e sinais nos registos fósseis e corpos mumificados. Foram analisados ao microscópio centenas de amostras re-hidratadas de tecidos de múmias egípcias, mas só houve um caso de câncer confirmado.

Como resposta ao argumento de que os egípcios antigos não viviam tempo suficiente para desenvolver esta doença, os investigadores indicam que foram verificadas outras doenças relacionadas com a idade, como o endurecimento das artérias (aterosclerose) e ossos quebradiços (osteoporose).

Nos textos egípcios antigos as evidências de câncer são tênues. Há a referência a problemas similares ao câncer que devem ter sido provocados, provavelmente, por hanseníase (lepra) ou varizes.

Foi possivelmente na Grécia Antiga a primeira vez que se definiu câncer como uma doença e onde foi feita a distinção entre tumores malignos e benignos. No entanto, a equipe da Universidade de Manchester refere que é pouco claro se esta referência corresponde realmente a uma ascensão do número de casos, ou apenas a um maior conhecimento da patologia.

No século 17 foram feitas as primeiras descrições de cirurgias a tumores. Os relatórios de cânceres na literatura científica só aparecem nos últimos 200 anos. Em 1775 foi feito o registo do carcinoma no escroto relacionado com os limpa-chaminés e em 1761, foi registado o câncer nasal em utilizadores de rapé.

"Nas sociedades industrializadas o câncer é a segunda causa de morte, a seguir às doenças cardiovasculares”, sublinhou o professor David. "Mas nos tempos antigos era extremamente raro. Não há nada no ambiente natural que cause câncer. Então tem de ser uma doença ‘fabricada’ pelo Homem devido à poluição, hábitos alimentares e estilo de vida."

Fonte: Nature Reviews Cancer
http://www.vermelho.org.br
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