quarta-feira, 18 de junho de 2014

Por que um problema de saúde não tem uma só solução?





Diante da manifestação de um problema de saúde, a pessoa se pergunta: como posso resolver essa questão? Na maior parte das vezes, as soluções que são propostas agem na periferia do problema e não nas suas causas. Assim, alguém que tenha obesidade procura orientação no nutricionista, no médico, numa revista e sai desses encontros pensando em soluções rápidas e deterministas: coma mirtilo e sementes de linhaça que resolverão seu problema! O que acontece em sequência? A pessoa gasta uma fortuna com as tais dicas alimentares e com o tempo percebe que não resolveu sua grande questão. Pode chegar a questionar o tratamento, o terapeuta, a veracidade das informações, pode desanimar com qualquer tratamento.

Por que isso não funcionou? Por que a obesidade que essa pessoa manifesta é resultado de uma série de desequilíbrios, tanto alimentares quanto psico emocionais. É preciso ir mais fundo, nas raízes que sustentam aquele certo modo de se viver.

Edgar Morin, filósofo eminente, já citava a complexidade da realidade e dos fenômenos. Cada fenômeno possui em seu interior um conjunto de causas que se reuniram para que existisse à sua percepção. E, da mesma forma, a maneira como lidamos com o fenômeno determinará múltiplas consequências na sua realidade futura. Temos liberdade a cada instante, a cada momento uma atitude de cura pode ser abraçada e mesclada com nosso olhar perate a vida.

Soluções deterministas não funcionam para problemas complexos

Na saúde, devemos usar a contemplação da complexidade. Nossa situação de bem-estar ou de sofrimento físico e mental é dependente de muitas causas e produzirá muitas consequências a cada instante. Devemos evitar soluções simplificadas e deterministas para resolver algo tão complexo. Então, não é um alimento que, se ingerido, vai resolver minha obesidade.

Não é um remédio que vai desfazer toda minha confusão e dor. Não é um sorriso e carinho alheio que curará toda fragilidade emocional que sinto. Usar a visão da complexidade é tomar conta que cada pequena ação de corpo, da nossa fala e da nossa mente é um ponto no tecido da nossa realidade à frente. Se agirmos tomando um remédio, balanceando nossa alimentação como um todo, sendo mais positivos em nossas relações, aí sim, esse conjunto de atitudes terá um bom resultado.

O papel dos processos terapêuticos é o de questionar nossas crenças, abalar as estruturas, fazer-nos vislumbrar e nos empolgar com um novo modo de ser e agir. Só há possibilidade de mudanças quando conseguimos “morrer” para certas expressões do nosso ego e das nossas identidades.
Acredito na sinergia de processos de cura. Alimentação saudável e individualizada, yoga, meditação, homeopatia/alopatia e acupuntura podem atuar mais rápido e com mais profundidade caso sejam tomados em conjunto sobre um mesmo corpo-mente. Mas qual é o elemento guia em todo fortalecimento da saúde? Um forte desejo de vida e geração de benefícios aos outros e a nós mesmos.

Um elemento é fundamental: precisamos romper e abandonar nossas tendências remotas de achar soluções simplistas para problemas complexos. Como seres humanos são complexos em essência, seus processos de cura devem ser tomados em várias frentes concomitantemente.  
http://www.luizfnicolodi.com
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